quinta-feira, 24 de agosto de 2017

E AGORA, CATARINA?

Henrique Faria


Vendo essa crise toda envolvendo o mais famoso cantor-padre do Brasil, eu me pergunto se agora ele vai conseguir enxergar que é feito do mesmo barro da Catarina, amiga minha que sofre o mesmo mal que ele, sem poder “gritar pra todo mundo ouvir” pelas ondas da TV.
Esse sujeito se glamourizou tanto, que a sua Síndrome do Pânico rompeu a barreira da sua alcova no solar das Sete Voltas para corromper as palavras do evangelista Mateus (10, 27b) (“o que escutai ao pé do ouvido proclamai-o sobre os telhados”), atribuindo a dimensão de show ao mal que o aflige.
Até então ele não se sente obra do mesmo barro de Catarina.
Não sou ninguém para julgar quem quer que seja. Mas, como pessoa pública, o cantor-padre presta um grande desserviço à comunidade católica. Eu falo da pessoa pública desse rapaz, já que é assim que ele quer ser visto, posando de galã metrossexual.
Eu espero que essa crise seja o conflito gerado pela sua escolha em ser do jeito que é, contrariando a lógica de uma opção vocacional, que não acolhe inconciabilidades para se realizar. Como conciliar o medo de avião com a carreira de aviador? Ou como ser um cirurgião alguém dominado pela hemofobia? Quem quiser enfrentar essas incompatibilidades terá, seguramente, que enfrentar um conflito. E foi isso que aconteceu ao nosso cantor-padre.
A Catarina, coitada, eu a conheço bem. Enfrentando horríveis crises existenciais não tem o mesmo estofo cultural do nosso amigo e se perde naquilo que não foram suas escolhas; foi o seu destino tornar-se presa de conflitos que não consegue gerir sozinha, buscando nas noites de quarta feira um bálsamo para suas dores numa direção espiritual tão bem editada.
E agora, Catarina? Ou você sara em saber que o seu guru, a quem você venera e em quem você confia cegamente, é feito do mesmo barro que você; ou você descamba de vez ao constatar que o super-padre não passa mesmo de um reles cantor que, no auge da carreira, não soube lidar com a fama e com o dinheiro.
Eu acho que a pessoa pública dele levou muito a sério as palavras de Mateus e perdeu uma oportunidade de ouro de ficar calado. Poderia ter se limitado a partilhar sua crise com o mais renomado psiquiatra do país, já que ele não gosta da mediocridade

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

EM DEFESA DO BISPO DE CAICÓ E SUA POSIÇÃO SOBRE OS HOMOSSEXUAIS


Henrique Faria

(Para seu melhor entendimento: https://www.diocesedecaico.com.br/destaque-8)

Vejo na página de um amigo algumas manifestações de repúdio ao bispo de Caicó, às quais respondi acidamente, e cujo texto reproduzo em minha página, omitindo, por conveniências pessoais, o nome do destinatário. Segue:

Meu caro amigo,
Eu vejo pela sua página do Facebook que você tem uma claque numerosa, visivelmente hostil à Igreja de hoje, saudosista de um papa que deixou a nau de Pedro soçobrar, preocupado que sempre esteve em “produzir teologia” em detrimento de uma ação pastoral mais eficiente e uma administração mais competente.
Sob o seu comando, a Cúria Romana expôs suas feridas milenares, transformando em rendez-vous o que deveria ser o espaço mais sagrado do planeta – em linguagem bem popular, perdeu a vergonha - que deu no que deu: a sua renúncia por não poder controlar aquele bando de safados purpurados. Não que ele tivesse culpa, mas não teve culhões para segurar a onda e para defenestrar os bandidos batinados que farfalham pelos corredores do Palácio Apostólico em sussurros pornográficos que tramam inconfidências, negociam mamatas, leiloam oportunidades de satisfação de carências pedófilas e afetivas. Ele pode até ser um santo – eu acredito! – mas, é um fraco.
Pois bem. É essa claque, visivelmente inoculada pelo veneno de certos institutos elitistas – anacrônicos, retrógrados, conservadores, que se embandeiram como seculares defensores da fé - que faz apologia do banimento dos homossexuais do projeto de salvação implementado por Jesus e explicitamente defendido pela Igreja no Catecismo da Igreja Católica, em seu parágrafo 2358, e pelo papa Francisco em notórias manifestações que contemplam esses irmãos perseguidos com o mesmo abrigo no Coração misericordioso e compassivo que abriga toda a humanidade, sem discriminação.
Eu, sinceramente, pouco me importo se esse tal projeto de salvação existe mesmo ou se é uma criação da Igreja Católica, que burocratizou a mensagem de Jesus – nele eu acredito! –, mas a sua claque acredita nesse projeto. Sendo assim, é pura hipocrisia essa gritaria contra a manifestação do bispo de Caicó que entende que a misericórdia e a compaixão preconizada por Jesus não deva alcançar apenas os héteros, mas os homo também, porque ele não codificou a sua lei do amor, estabelecendo um parágrafo único que alije os homossexuais do amor universal.
Portanto, meu caro, esses seus amigos – eu repito – são uns hipócritas, fariseus, pretensos ombusdmen de Deus.