sexta-feira, 21 de julho de 2017

TRÊS ANOS DEPOIS A GLOBO MEXE NA FERIDA. (EU CONTINUO COM A PATRÍCIA)


Henrique Faria

Três anos depois daquele Grêmio x Santos em que o goleiro Aranha (hoje na Ponte Preta) se sentiu ofendido com gritos de uma menina com indiscutível conotação racista, a Rede Globo de Televisão cutuca a ferida, pelo simples prazer de cutucar, no programa Profissão Repórter, querendo atazanar a vida da gauchinha. A menina Patrícia, que está quietinha em sua casa, é provocada a conceder uma entrevista para dar sequência ao longo calvário que lhe foi imposto por uma atitude passional em um jogo de futebol. Naquela ocasião, saí em sua defesa, quando o Brasil inteiro execrava a pobre coitada numa cruzada hipócrita em favor do então goleiro santista. Segue o texto:

HIPOCRISIA PURA ESSA COMOÇÃO

Pobre Patrícia Moreira... Um país inteiro caindo de pau por uma manifestação que faz parte da cultura dos jogos de futebol. O "macaco" gritado por Patrícia corresponde ao "filho da puta" gritado contra o juiz da partida. Ninguém está ali para ofender a mãe do árbitro, até porque a massa de torcedores não a conhece e pode estar perdendo a grande chance de venerar uma santinha, talvez, aquela que pode ter colocado no mundo um homem bom que, para infelicidade sua e para a sanha da torcida, resolveu ser juiz de futebol.
Está certo, sim, a gritaria geral em defesa do goleiro santista, numa emblemática cruzada contra a discriminação racial. Mas a menina não pode pagar o macaco sozinha. É uma tremenda de uma hipocrisia, principalmente da grande maioria das pessoas que têm o hábito de frequentar, nos estádios, a jogos de futebol, onde não há limites éticos nem morais, misturando-se no mesmo saco bandidos e pessoas de bem, a grande maioria destas também fazendo coro à falta de educação que se vê durante as partidas. Quem não está acostumado, torcedor de presença esporádica nos estádios, fica estarrecido com o vocabulário de torcedores e torcedoras, essas, então, muito à vontade despidas da carapaça moral que a sociedade machista as obriga envergar.
Evidente que a menina não quis ofender o homem Aranha, mas, o goleiro santista que, convenhamos, é um ente metafísico, sem cor nem raça, sem religião, assexuado. O goleiro, como qualquer outro ocupante de uma das onze posições no futebol, não é um homem; é uma posição.
Se Patrícia puder ler o meu conselho...: não tire a roupa para a Playboy, não! (Ninguém me falou que você vai tirar, mas, de repente...). É dar ainda mais milho pra bode.
Hipocrisia pura essa comoção...