sábado, 22 de abril de 2017

CONSIDERAÇÕES SOBRE A FATALIDADE DE UM QUASE-GOL


Henrique Faria

Você tinha pensado nisto? Eu pensei quando a Chapecoense sofreu aquela tragédia terrível na Colômbia.
Eu não sei a posição do tal de Blandi, do San Lorenzo argentino, time do papa Francisco. Vejo na Wikipédia que ele é ponta de lança avançado (o que pra mim é mandarim) e que foi ele que não teve competência de marcar aquele gol aos 48 minutos do segundo tempo (último minuto do jogo), defendido espetacularmente por Danilo, do clube catarinense, num rasgo de puro reflexo e pura sorte.
Sorte? Se Blandi faz aquele gol a Chape não iria para a final com o Atlético Nacional de Medellin. Não vamos culpar nem Blandi pela grossura, nem Danilo pela competência.

O SEXO DAS MULAS


Henrique Faria

Eu pensei em rezar com você a oração que Brecht nos ensinou. Mas uma ansiedade crônica incomoda a minha concentração, que, tão logo iniciei a primeira invocação, me lembrei do Alfredo e das lições de zoologia de quem conviveu com caboclos da roça, que me ensinaram que mula não procria. Quando todo mundo teria ficado “pasmo”, fiquei pasmado em descobrir que, em mais de meio século de cultura, ainda não havia me dado conta de que não sabia que a mulher do burro não pode ter filhos. E me perguntei: Ora! Pra quê serve o sexo da mula?
Tentei-me inteirar do assunto e busquei enciclopédias, dicionários, uns livros antigos de ciências naturais e... nada! Ninguém fala de mula. “Ah! A Internet!”, pensei! E cliquei o Google e tantos outros sites para descobrir que mula está relacionada com uma casta de países do Oriente, onde ela leva um acento tônico na última vogal. Desisti e voltei para o Brecht. E rezei sozinho.
Prometi a mim mesmo que não o induziria, meu caro leitor, a rezar comigo a mais bela oração do devocionário político. Há quem diga que Brecht virou lugar comum. Deve ter virado mesmo, como viraram aqueles que não ouvem, não falam, não participam dos acontecimentos políticos. Virou lugar comum reclamar do custo de vida, do preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio. Virou lugar comum aquele burro que se orgulha e estufa o peito, dizendo que odeia política. Virou lugar comum a ignorância, mãe das vicissitudes sociais que geram a prostituição, o menor abandonado, o assaltante, o político vigarista, pilantra, corrupto e explorador das empresas nacionais e multinacionais.
E eu, que não sabia que mula não procria, me pergunto porque Brecht não trocou o burro pela sua fêmea. (Do burro, evidentemente...). Pelo menos ele produz alguma coisa (o burro, claro!). Já chegou até a produzir soro contra o câncer...
Pois bem, meu caro leitor. Nós não vamos ficar discutindo o sexo das mulas, quando nem o dos anjos nos leva a lugar algum. Mas acho que destas reflexões alguma coisa podemos depreender.
Sempre é tempo de aprender alguma coisa. Mas, às vezes insistimos em cometer os mesmos erros já cometidos e que nos ensinaram que a teimosia é um capricho dos muares. Tantos erros cometidos e não aprendemos a lição: é a nossa vocação para a teimosia da mula do Alfredo ou, no mínimo, do burro de Brecht, que se orgulha e estufa o peito, dizendo que odeia política. Já é hora de deixar a teimosia e virar este país de cabeça pra baixo!

AVE MARIA

SEM NEXO

23.02.1999 - ANIVERSÁRIO DA ANGELA. 45 ANOS

Henrique Faria

Como é bonito chegar
com esse sorriso a essa idade!
Quarenta e cinco, assim,
É muito mais que alguns verões:
É ser quarenta e cinco vezes criança
E ter quarenta e cinco corações.

23.02.1994 - ANIVERSÁRIO DE 40 ANOS DA ANGELA

Henrique Faria

Quem foi que disse
Que a vida começa aos quarenta,
Se a minha começou
Aos dezenove?

Quarenta
é apenas um átomo de amor
dessa eternidade
que não nos deu fim
nem deu começo.

E,
Ao ver esse seu sorriso,
Eu me pergunto
se é preciso
dividir em “entas”
tanto amor.

Quarenta,
Cinqüenta,
Sessenta...

Isso tudo é muito pouco
Diante desse amor atemporal
Que nos faz eternos.

Parabéns, meu amor!
E obrigado
Por essa eternidade
Que se renova em seu sorriso
Que não tem idade

INCONGRUÊNCIA

ONZE DE SETEMBRO

POR OCASIÃO DA CASSAÇÃO DE EDUARDO CUNHA

VELHOS-CRIANÇAS E CRIANÇAS QUE SERÃO VELHOS

QUEM TEM O NOME SUJO

sexta-feira, 21 de abril de 2017

QUE TAL A OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS RICOS?


Henrique Faria

Já andei pensando – e prometi a mim mesmo que desenvolveria um estudo para justificar a minha idéia – que, talvez, se a Igreja ao invés de priorizar os pobres fizesse uma “opção preferencial pelos ricos”, o reino da liberdade estaria mais próximo dos despossuídos e o reino dos céus ao alcance dos endinheirados. Mas não é mesmo? Com os ricos evangelizados não haveria pobreza...
Considerando que “pobres sempre tereis” e que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”, não seria o caso de se tentar?

EPITÁFIO

LULA: UM SER PRIMITIVO OU PATOLÓGICO?


Henrique Faria

Nós temos uma tendência recolhida para o crime. A honestidade, a moralidade, a ética são virtudes que convivem com a nossa propensão ao maquiavelismo, ao gersonismo, ao mandonismo, à egolatria, à omissão. Anjos e demônios disputam a nossa índole e, convenhamos, os demônios falam mais alto considerando-se o que se vê de bondade e de maldade acontecendo na história.
Mas, o homem é um ser bom por natureza, e suas virtudes foram aflorando à medida em que foi aprendendo a viver em comunidade, percebendo, através da liberdade, que poderia fazer suas escolhas. No entanto, alguns de seus vícios – que o envergonham – já estavam latentes em sua condição primitiva de quadrúpede e foram sendo censurados com a evolução, exatamente pelo convívio social.
O que acontece com alguns seres humanos é a sua dificuldade em ter evoluído da sua condição de australopithecos (o ancestral do homem moderno) para a condição de homem evoluído. Entre algumas expressões legadas pela evolução humana, a capacidade de corar, inexistente nos animais, é uma aquisição do homem evoluído e um dos sinais que o diferenciam do homo erectus e dos seres irracionais. Darwin considerava a “corajem” (com “j” mesmo, que, se não existe no dicionário de português, acabo de inventá-la como um substantivo decorrente do verbo “corar”) “a mais popular e humana de todas as expressões”.
Eu não busco na ortodoxia lombrosiana a tendência atávica que explica a delinquência como herança do homem primitivo, mas sou tentado a pensar que, diante de tanta maldade que se vê em certos seres humanos, alguma coisa não evoluiu no seu cérebro, ou que, diante de tanta “cara de pau”, ou seja, de tanta incapacidade de corar – entenda-se falta de vergonha na cara – o cérebro de algumas pessoas cresceu em descompasso com a evolução humana e seriam necessárias mais algumas centenas de milhares de anos para que essas pessoas – que têm uma expectativa de vida de oitenta anos ou pouco mais – vivessem para se despojarem do australopithecos e assumirem o homo hodiernu , com licença para gastar um pouco do meu macarrônico latim.
É o caso de Lula. Ou alguém tem alguma dúvida de que ele comanda uma organização criminosa? Ou de Eduardo Cunha. Este, então, quer tudo para si, muito mais esperto, com uma área do cérebro – a que maquina as ações criminosas – mais desenvolvida que a do bufusbarbatus, batráquio ancestral do dirigente petista, que nele ainda se encontra em estágio de evolução.
E por que eu digo que nós temos uma tendência recolhida para o crime? Porque pela nossa tendência ao gersonismo (levar vantagem em tudo), ao maquiavelismo (o fim justifica os meios), somos cúmplices na cultura do crime ainda latente na índole de pessoas como esses dois homo safatus, que, se não desenvolveram aquela parte do cérebro que os permita corar, evoluíram anos-luz na nossa frente, na região encefálica que comanda a safadeza e a canalhice.
Eles podem não ser criminosos por serem doentes ou primitivos. Mas, nós, que aceitamos “quem rouba, mas, faz” ou quem rouba, mas financia a nossa faculdade, a nossa-casa-nossa-vida, a nossa bolsa-miséria, somos coniventes com suas ações condenáveis.

JÁ SE FOI O TEMPO EM QUE O CRAQUE “COMIA A BOLA”

Henrique Faria

Eu leio aqui no Face, em rompantes de ufania patriótica, o que um torcedor escreveu contando que o jogador tal, em transferência de um grande clube europeu para outro, vai levar, só pra ele, 12 milhões de euros por ano, enquanto durar o seu contrato de cinco anos.
Hoje o euro está cotado em pouco mais de três reais. Ou seja, o bonitinho vai ganhar 3 milhões de reais por mês ou, para nos matar de inveja, 100 mil reais por dia! É isso mesmo? É tanto zero que eu acabo me confundindo...
Ah... Fala sério! Nada mais imoral num planeta em que a fome endêmica atinge quase 1 bilhão de pessoas! Isso tudo pra brincar com uma bola, além de dar passes errados, errar pênaltis decisivos, marcar gols contra; enfim, exercer a sua profissão nem sempre com competência.
E eu, aqui, rezando o meu Pai Nosso e engolindo uma prosaica lasanha congelada com a consciência pesada, me lembrando de umas carinhas pretinhas, crianças esquálidas que se mumificam em vida porque não têm o que comer...
A humanidade é cruel. Quem não faz, aplaude a injustiça social em todas as suas formas de expressão, especialmente naquelas em que a mídia elege alguém para comer bem pelos quase 1 bilhão de pessoas que passam fome.
Já se foi o tempo em que o craque “comia a bola”!

O BEIJO GAY DAS OCTOGENÁRIAS E A INTOLERÂNCIA DAS MINORIAS

Henrique Faria

Eu estava aqui revendo algumas das minhas publicações e me deparei com uma que publiquei no Facebook algum tempo atrás, na ocasião da estreia da novela Babilônia (Rede Globo de Televisão) no dia 16 de março de 2015, quando as atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg protagonizaram o primeiro beijo gay da televisão brasileira. Segue o texto.
Acabo de ser espinafrado por um amigo, por quem tenho admiração pela fluência do seu raciocínio, pela sua lucidez e sabedoria; e respeito, especialmente pela sua opção sexual. Não vai aqui qualquer bajulação à sua pessoa, já que ele me enquadrou no “quem te conhece que te compre”, o que me desqualifica em qualquer tentativa de amansá-lo na sua ira santa de defender as peculiaridades da comunidade gay, mormente em suas expressões de afeto, como foi o beijo lésbico – de mentirinha – entre duas octogenárias – de verdade – levado ao ar no primeiro capítulo de uma novela de TV. Além de não recomendar as minhas considerações (“quem não conhece que te compre”), me priva de “apontar o dedo” por me incluir entre “gente que já fez coisa muito pior na vida”. Estou aqui tentando revolver os nossos vinte e cinco anos de amizade e buscar nessa história alguma confidência que me coloque com um pé para trás por algum ato tão abominável que possa constituir “coisa muito pior (que fiz) na vida”).
Tudo isso por ter feito um comentário em uma rede social num post que não era da sua lavra, mas de uma amiga comum, em que considerei o tal beijo uma questão de estética e de ética e não de moral.
Não “apontei o dedo” para as pessoas que se identificam com uma cena dessas. Quando digo que vejo o beijo lésbico público de duas octogenárias sob o ângulo estético e ético, eu quero dizer que quem quiser que o ache bonito – eu não acho –, e que é uma ruptura com as convenções, o que, de certa forma, alija seus protagonistas do grupo social em que estão inseridos. A ruptura com os padrões éticos é um fator de inclusão no grupo das minorias, não necessariamente no das amaldiçoadas.
Não faço juízo moral de ninguém. Não porque não tenha moral para isso, que não tenho mesmo, mas por achar que a moral, diferente da ética, é relativa. O que é imoral para uma sociedade pode não ser para outra. O que é imoral para um indivíduo pode não ser para outro. Além disso, não tenho estatura para julgar quem quer que seja, sob qualquer aspecto, seja moral, estético ou ético. Aqui eu enfatizo que as minhas considerações que enfezaram o meu amigo não foram um juízo, mas um exercício de liberdade de expressão, a mesma liberdade que ele teve para me incluir entre as pessoas com as quais ele tem um pé atrás ao expressar-se pelo “quem não te conhece que te compre” e ao lançar-me para a vala dos malditos “que se escondem atras (sic) de um (sic) retórica que serve de subterfúgio para dissimular o velho preconceito”, “e de gente que já fez coisa muito pior na vida e vem querer apontar o dedo”.
Quanto ao questionamento que o meu amigo coloca na possibilidade de não podermos desfrutar do mágico momento de um beijo gay em novela por “motivos estéticos e éticos e não por preconceito e falso moralismo”, eu o acalmo e o encorajo. Ainda vamos ver muitos beijos gays na TV e eles serão tão comuns que deixarão de ser polêmicos. Os gays já podem “trocar carinho na pracinha, no shoping (sic), ou qualque (sic) lugar” como é o seu desejo. Que mal tem? Não há lei que os proíbam dessas manifestações de afeto, “desde que seja de forma respeitosa” como ele acentua.
O que eu questiono – e questionei em meu comentário que deu azo para tanta irritação do meu amigo – é a maneira como a sociedade vem sendo manipulada por uma minoria que detém o poder midiático, querendo impor uma cultura na marra. Deixa a coisa fluir naturalmente! Aliás, esse mesmo grupo de profissionais da comunicação que exalta o beijo gay cria estereótipos caricatos dos homossexuais que só servem para acirrar ainda mais o preconceito que, volto a dizer, é muito mais de natureza estética do que moral: precisa a bicha fazer tantos trejeitos – que a mulher não faz – para se afirmar como gay?
Voltando ao assunto, não concordo com o termo “opção sexual”. Ninguém faz “opção sexual”. Cada um é o que é e pronto. Por outro lado, ninguém nasce gay ou hétero. As pessoas nascem homem ou mulher.

AUSÊNCIA

SAUDADES...

Assédios...

Henrique Faria

O jogo de sedução vem perdendo seu encanto e sua magia. Especialmente os homens são os mais atingidos pelo conceito de assédio sexual atribuído à sedução não consumada. Há uma tendência à intolerância por parte das mulheres quando se frustra uma tentativa de sedução. O constrangimento do ato é definido pela vontade da mulher. Ou seja, se ela quer, é sedução (Ele é um sedutor); se ela não quer, é assédio sexual (Ele é um ordinário). E daí? Em que cabeça está a maldade do comportamento?

E o que não dizer do assédio feminino? O que diferencia, na maioria das vezes, o assédio masculino do assédio feminino é o nível do ataque. Do homem, o atrevido e transparente. Da mulher, o enrustido e insinuante. Entretanto, em ambos o machismo está presente: o homem assedia para provar que é macho; a mulher assedia para provar se ele é macho mesmo...