sexta-feira, 16 de junho de 2017

... E O VENTO LEVOU

A CHEGADA DO PADRE HUGO NO CÉU


Henrique Faria

Na tarde do dia 3 de novembro de 2014 a cidade de Taubaté-SP foi abalada pela triste notícia do falecimento do padre Hugo Bertonazzi, figura ímpar dessa cidade, apóstolo dos pobres, exemplo de humildade. Quem o conheceu de perto sabia sempre que era um santo que desfilava pela cidade. Eu o conheci ainda muito jovem e ele me acompanhou por mais de quarenta anos. O choque teve um impacto ainda maior para mim.
Compus esta crônica na noite daquele dia, já sabendo da sua chegada no céu. Acompanhe comigo:

CRÔNICA DE UMA TARDE DE SAUDADE

O padre Pedro, ainda meio novo no ambiente, estava lá com seu violão. Voz limpa, sem aquela pigarra que o vinha atrapalhando pouco antes do seu embarque. Rodeado da moçada que o acompanhava nos anos 50 e 60, cantava os últimos sucessos do Pe. Zezinho, mas, entre um suquinho e outro (de romã) tirava uns acordes melosos de Blue Moon, Love letters, The end of the Word e ponteava gostoso The house of the rising sun.
As gatinhas, todas chegando aos 90, e os rapazes por aí também, batiam palmas no ritmo das músicas, matando a saudade dos bons tempos de Taubaté.
De repente, uma correria. São Pedro arrastando o chinelão, o molho de chaves fazendo um barulhão danado, ia espaventando alguns anjinhos que lhe atrapalhavam o caminho.
- Oi xará! – parou o padre Pedro com a cantoria, mostrando intimidade com o porteiro do céu – Por que essa agitação toda?
Pedrão nem ouviu o que o padre falou. “Sai! Sai! Que o Homem ta chegando!”, e ia botando a anjarada pra correr.
A chave enroscou, a porta emperrou, Pedrão quase perdendo a paciência, aquela fila de anjos... Padre Pedro correu até lá, encabeçou o corso com seu violão, e puxou um canto para os anjos cantarem: “Eu venho do sul e do norte, do leste, do oeste, de todo lugar...” Quando chegava o refrão, os anjos pulavam de contentes: “No peito eu levo uma cruz, no meu coração o que disse Jesus...” E a fila foi entrando e acabando com a rodinha dos baladeiros do padre Pedro.
O padre foi deixando os anjos passarem, meteu a mão estendida, com os dedos esticados e colados uns aos outros sobre as sobrancelhas, como quem olha pra longe. “Não acredito”, pensou ele abrindo aquele sorriso gostoso.
O homem, ou melhor, o Filho do Homem, vinha se aproximando com as mãos cingindo um senhor magro, alto, postura solene, olhar humilde, sorriso tímido.
Pois não é que um anjinho novo, carinha de safado, perguntou: “Quem é aquele homem que está abraçando o padre Hugo?” Pândega pura, porque no momento que veio um encarregado e o puxou pela orelha, o pobrezinho se defendeu: “Foi só uma brincadeirinha, seo Arcanjo!”. Jesus, que passava por ele, sorriu de um sorrisinho torto, tomou-o pelas mãos e lhe permitiu dar um abraço bem apertado no novo morador do céu. A Senhora bonita que vinha logo atrás, deixava por onde passava uma poeira de pequenas estrelas, que lá na frente, depois, fizeram a festa dos anjinhos mirins.
O padre Pedro, vendo tudo, rompeu o protocolo. Pra falar a verdade, se esqueceu até de cumprimentar Jesus, que não ficou nem um pouco chateado.
- Aí, Hugão! Foi bem de viagem?! – E caiu chorando nos braços do amigo.
São Pedro chegou logo depois, esticou o polegar para Jesus e estendeu a mão direita para o novo morador : “Seja bem vindo, padre Hugo!” e deu uma piscadinha para o xará, sem conter um comentário: “Eh, xará... É agora que ninguém segura...”
O anjinho trapalhão, que foi praticamente espirrado das mãos do homenageado, pegou o violão do padre Pedro que estava caído num montinho de nuvem e continuou tocando pros anjos cantarem: “No peito eu levou uma cruz; no meu coração o que disse Jesus”. E quanto mais perto do Trono chegavam, mais a anjarada se assanhava.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

ASSÉDIOS

SE NÃO FOI ISSO QUE JOÃO QUIS DIZER, PACIÊNCIA...


Henrique Faria

Vamos esclarecendo. Eu não sei teologia. Ou, pelo menos, a teologia sistemática e acadêmica. Como, também, não sei filosofia, a filosofia ensinada desde os primeiros sábios da Grécia até os dos nossos dias. E, talvez, por essa minha carência da cultura acadêmica, eu tento fazer a minha própria teologia e a minha própria filosofia. Ou, seja, eu me vejo obrigado a pensar com a minha própria cabeça.
Esclarecido, meu caro leitor, convido você a pensar comigo, não necessariamente a concordar comigo, podendo até mesmo me taxar de ignorante presunçoso, “sem noção” como se diz na linguagem popular. Vamos, então, direto ao assunto.
Acabo de chegar de uma missa, de Corpus Christi, onde pude ouvir pela enésima vez as palavras do evangelista João, em que seu Mestre afirma ser o “pão vivo descido do céu”, “quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida eterna”. Bem. É melhor você tomar a leitura do Novo Testamento em João 6, 51-58 para sentir você mesmo o impacto que causam essas palavras.
A minha primeira tendência foi a mesma dos judeus que o ouviam, questionando “como é que ele pode dar a sua carne a comer?”. Mas pensei comigo: deve haver uma coisa mais profunda nessas palavras, que eu, reles ouvinte, não tenha inteligência para alcançar. Isso mesmo: inteligência, já que não tenho cultura. Eu digo sempre que eu acredito no que vejo (diga-se de passagem, Deus eu vejo) e no que a minha razão consegue processar. Comecei a pensar, na missa mesmo, ali na igreja dos capuchinhos, sobre o sentido daquelas palavras. E me veio uma inspiração, que me pareceu lógica no contexto desse mistério a que a Igreja chama de encarnação. Note que estamos falando em “carne”, “sangue”.
Foi então que me vieram à mente as primeiras palavras do evangelho de João. O texto de João é muito bonito, poético, profundo. Mas, os menos avisados podem avaliar assim: “esse cara ta viajando, delirando...” (o João, não eu) Eu não penso assim, pois, afinal, passaram-se mais de dois mil anos e o seu texto continua vivo, instigante, sedutor, envolvendo gente anos-luz à minha frente na compreensão da teologia, da filosofia, da história.
No comecinho do seu evangelho, João fala em Verbo (confira as 14 primeiros versículos do evangelho de João). E fala que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. A coisa pode parecer mais complicada do que é. Veja bem: “Verbo” quer dizer “Palavra”. Em grego, língua em que foi escrito o evangelho de João, “logos”. E “logos” tem um sentido mais amplo do que a mera junção de vogais e consoantes que formam uma palavra. “Logos” é um “discurso”, uma “mensagem”.
Pois bem. Primeiramente nós temos que acreditar em Deus, um ente que deu início à matéria. Se você não acredita em Deus, nem continue lendo essas minhas lucubrações.
Deus tinha uma mensagem para transmitir às suas criaturas. Essa mensagem era o “Verbo”, o “Logos” a que João se refere. Por isso que ele diz que o Verbo, no princípio, estava junto de Deus e que o Verbo era Deus (Jo 1, 1 e 2). E era necessário que a mensagem de Deus se materializasse para que a humanidade entendesse. Essa materialização se fez em forma de carne, de gente. “o Verbo se fez carne”. E apareceu, na Galileia, um homem (carne e osso) que trazia uma mensagem até então nunca ouvida. Demorou para que o Criador se dispusesse a se fazer entender assim de forma tão explícita, já que Ele vinha tentando se fazer entender havia séculos por aquele povo cabeça dura sem resultados que pudessem transformar a história e o coração dos homens.
Não se preocupe, meu caro leitor, se aquele galileu foi “gerado, não criado”, obra de um lance de mágica (a que a Igreja chama de mistério) que o colocou no ventre de uma menina para nascer, crescer, e viver tão pouco tempo. Esse Galileu, de nome Jesus, seja como for, é uma figura histórica, que palmilhou aquelas estradas pedregosas e secas do que é hoje o Estado de Israel, levando a sua missão tão a sério que fazia das suas palavras, do seu discurso, da mensagem de Deus uma verdadeira comida para aqueles que o ouviam. É como se dissesse “não basta vocês ouvirem estas palavras, esta mensagem; é preciso comê-las”; “vocês precisam ‘comer’ o Verbo!”.
Jesus era a mensagem encarnada de Deus: o Verbo. Daí entender-se porque ele dizia “eu sou o pão vivo descido do céu; quem comer deste pão viverá eternamente”, “quem come da minha carne e bebe do meu sangue tem a vida eterna”.
E eu voltei da missa de Corpus Christi satisfeito com este meu entendimento. Se não foi isso que João quis dizer, paciência...

terça-feira, 13 de junho de 2017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

ORGULHO DE MORRER AQUI


(Henrique Faria)

Dia desses resolvi utilizar meus direitos de cidadão taubateano – “Cidade de Taubaté, Orgulho de viver aqui” – e me dirigi até um posto de saúde (em minúsculo mesmo) perto da minha casa. Pertinho mesmo. Uma gracinha o postinho da Vila IAPI. Eram 11h01 da manhã. Dei com a cara no portão fechado e soube que os postinhos fecham das 11h00 às 13h00. Tudo bem. Não Tem problema. Numa cidade em que até restaurante fecha para almoço, vá lá...
Fui no dia seguinte, bem cedinho. Consegui marcar uma consulta. Para 30 dias adiante. Maravilha! As atendentes umas belezinhas, educadinhas, cheias de dengo...
Enfim... Passaram-se os 30 dias e eis-me de frente a uma medicazinha bonitinha. Bonitinha, mas, soberbinha. Imagine que nos longos 5 minutos de consulta ela não conseguiu levantar os olhos, deixando de apreciar essa belezura aqui e ignorando se eu era preto ou branco. Tadinha... Timidazinha...
Mas, enfim, o que eu queria mesmo era pegar uma receita para poder adquirir na farmácia popular, a custo zero, o meu “combo-idoso”, composto de remédios para diabetes, pressão alta e colesterol. E, de quebra, levar um pedido médico para fazer uma avaliação da minha glicemia através de um exame de sangue. Oh! Como ela foi boazinha! Me atendeu aos dois pedidos!
Eu, que não sou muito de resolver essas coisas na hora, contrariando o meu jeito de ser fui correndinho para a clínica da prefeitura, lá na rua Portugal, pertinho do Joaquinzão, para agendar o exame. Qual não foi a minha surpresa quando a mocinha que me atendeu, uns quinze minutos depois de ter pego a minha senha, me disse que não era ali. Ô, meu Deus! Será o Benedito? Mas foi ali que eu havia feito uns exames anteriores algum tempo atrás... “O senhor deverá estar se dirigindo até o Jardim Mourisco”, gerundiou a atendente. Subi no possante e me disparei para o local indicado.
Bah! Outra surpresa: “O senhor deverá estar agendando das 11h00 às 15h00”, gerundiou também uma nova atendente. Boazinha, educadinha, cheia de dengo que nem as outras que já haviam me atendido. Ô catso! Ainda era 10h00... Esperar uma hora ali não seria justo, a não ser que eu esperrasse em pé para não ocupar banco de quem já estava esperando há 90 dias para fazer seu exame. Fui embora.
Mas, como quando a gente está refém de urubu o destino é cruel e inexorável, acabei por perder o tal pedido que a medicazinha da cabeça baixa havia me dado.
Ontem, 6 de junho do ano da graça de 2017, achei o minúsculo papel. E lá fui eu novamente ao Jardim Mourisco para agendar o meu exame. Eram 14h50. Liguei o bruto e fui no galope tentando chegar a tempo para o agendamento. Consegui.
Feliz porque era mais uma batalha vencida (eu ter chegado antes das 15h00), entreguei o pedido para a mocinha. Belezinha! Todas são muito boazinhas. “Eu só vou poder estar marcando para o dia 1º de setembro”, fui mais uma vez gerundiado. (Note que eu coloquei a palavra “setembro” por extenso, dispensando o nº 9, pra você não pensar que eu errei na digitação). Isso mesmo! Setembro! Daí a 88 dias! 88! É mole?
A mocinha pensou que eu era louco, pois caí numa gargalhada que chegou a contagiar as outras atendentes e alguns pacientes que até então tinham uma expressão de tristeza, sabe?, aquela cara de cachorro que caiu de mudança.
Foi então que voltei para a casa puto da vida, mas com o protocolozinho na mão, embora, evidentemente eu não vá esperar esse prazo histórico para realizar o meu exame. Isso mesmo: “histórico”, porque o tempo que se conta entre a entrada do pedido no local de agendamento até o dia da efetiva realização do exame já se conta como história, já está nos anais do sistema de saúde do município de Taubaté.
Não é o meu caso, mas, com um serviço eficiente como esse, qualquer dia desses algum taubateano ainda poderá encher o peito – já lá no andar de cima – para exclamar: ORGULHO DE MORRER AQUI.

domingo, 21 de maio de 2017

NÃO ADIANTA CHORAR PELO LEITE DERRAMADO

O PT E OS ABACATES

Henrique Faria

O PT é um partido bem nascido. Mas, nem todos os bem nascidos mantêm seu caráter original quando atingem a maturidade. O PT amadureceu como alguns abacates que, ainda antes do ponto de consumo, iniciam um processo de deterioração, pretejando e apodrecendo; quando estão totalmente maduros estão intragáveis e perdidos.
As manchas pretas que surgiram no processo de amadurecimento do PT foram a política de promiscuidade parlamentar, buscando sustentação em grupos que não tinham nada a ver com os movimentos sociais sérios (aqui não incluo os sindicatos, que são sabidamente corruptíveis, corrompidos e corruptores) que inspiraram o seu nascimento, especialmente as comunidades eclesiais de base, as pastorais católicas de promoção humana, e outros grupos que surgiam do meio do povo sem vínculo orgânico com a política. A opção por uma economia neoliberal e por uma política de pragmatismo irresponsável (o fim justifica os meios) fez apodrecer o fruto petista.
Lula representa essa podridão. Com o carisma que tem, poderia ter sustentado o poder com a força dos movimentos populares que, muito mais próximos do povo, teriam condições de torná-lo a sustentação do governo petista. No entanto, Lula preferiu a proximidade cúmplice com banqueiros, construtores, doleiros e grandes investidores das bolsas de valores, políticos de profissão, esquecendo-se das bases que o elegeram.
O PT poderá ressurgir com o seu projeto de justiça social, sim, mas somente quando entender que os abacates continuarão apodrecendo, antes de poderem ser consumidos, enquanto forem tocados pelos nove dedos corrompidos desse barbudo falastrão.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

... E POR ISSO LULA NÃO VAI SER PRESO

O ser humano somente adquiriu a sua capacidade de corar (ficar vermelho, ou seja, ter vergonha na cara) no período de evolução da sua condição de australopithecos (o ancestral do homem moderno) para a condição de homem evoluído. É uma das suas características que o diferencia dos animais irracionais.
Considerando que Luiz Inácio não têm essa capacidade, depreende-se que ele não evoluiu totalmente. Lá uma regiãozinha do seu cérebro permaneceu primitiva, como a do “bufusbarbatus” (tradução: “sapo barbudo”), seu ancestral mais remoto.
Ou seja, Luiz Inácio possui uma tendência atávica à sem-vergonhice – um lombrosiano, portanto, um doente. Talvez seja este o mais forte argumento para se proclamar a sua inocência.
(Ilustração: atocadolobomau.blogspot.com)

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quinta-feira, 18 de maio de 2017

terça-feira, 16 de maio de 2017

sábado, 6 de maio de 2017

VOCÊ, VELHO, QUE É UM FORTE:

Se você chegou à velhice e sente que não conseguiu sucesso nas suas realizações, não se condene. É possível que você não tenha lutado, ou, nem tentado, ou, quem sabe, nem mesmo sonhado.
E daí? Você não é um derrotado, pois, você não lutou. Nem é um fracassado, pois, você não tentou. E muito menos um frustrado, pois, você não sonhou.
Bola pra frente! Porque derrota, fracasso e frustração é para os fracos!

SEGREDO DE UMA VELHICE FELIZ

SONHO E REALIDADE: UM CONTRAPONTO

Henrique Faria

Sonhar é mesmo um contraponto.
Eu lhe conto que, poeta,
Sonhei tanto
que não tive tempo
pra me realizar.
Agora, mais prático, pé no chão,
Eu me realizo sonhando
Pra não dar tempo à frustração.

Há uma imensidão de frases feitas que se destinam a amenizar o cansaço da velhice. Entre elas, o termo “espírito jovem” para aqueles que não sucumbem aos estragos do tempo. O tempo é cruel e sua ação é inexorável. Não há porquê dizer-se de “espírito jovem”. Nós somos o que é o nosso espírito. E o nosso espírito, se não é eterno (pois teve um começo), é infinito. É ele que caminha para a eternidade.
Nosso espírito envelhece, sim, graças a Deus, e com o seu envelhecimento o seu amadurecimento vem surgindo aos poucos, o que em algumas pessoas atinge aquilo que se costuma chamar de “sabedoria”. Nem todos os velhos são sábios, porque nem todos atingiram com o amadurecimento esse patamar.
Eu, particularmente, não gostaria de ir desta para a melhor com o meu “espírito jovem”. Já pensou, amargar a eternidade fazendo as mesmas cacas, ou outras cacas diferentes que sejam, caminhando lado a lado com as que eu fiz por aqui no tempo, na certeza de que o meu estágio de sábio eu só atingiria no encontro das paralelas?
Brincadeiras à parte, o amadurecimento e a sabedoria são dons para o nosso tempo. E, se vamos levá-los para a eternidade, com certeza não levaremos vantagem alguma sobre os que foram na nossa frente, alguns ainda bebês, crianças, jovens, sem o nosso amadurecimento e a nossa sabedoria, mas com igual desfrute dos bens eternos.
Por isso, assumir a velhice é mais do que uma aceitação. É seguir a vida como ela é. No tempo e no espaço. Sonhando sempre, ainda que fazendo da nossa realidade o nosso sonho, porque fazer do seu sonho a sua realidade é para os “espíritos jovens”.

sábado, 22 de abril de 2017

CONSIDERAÇÕES SOBRE A FATALIDADE DE UM QUASE-GOL


Henrique Faria

Você tinha pensado nisto? Eu pensei quando a Chapecoense sofreu aquela tragédia terrível na Colômbia.
Eu não sei a posição do tal de Blandi, do San Lorenzo argentino, time do papa Francisco. Vejo na Wikipédia que ele é ponta de lança avançado (o que pra mim é mandarim) e que foi ele que não teve competência de marcar aquele gol aos 48 minutos do segundo tempo (último minuto do jogo), defendido espetacularmente por Danilo, do clube catarinense, num rasgo de puro reflexo e pura sorte.
Sorte? Se Blandi faz aquele gol a Chape não iria para a final com o Atlético Nacional de Medellin. Não vamos culpar nem Blandi pela grossura, nem Danilo pela competência.

O SEXO DAS MULAS


Henrique Faria

Eu pensei em rezar com você a oração que Brecht nos ensinou. Mas uma ansiedade crônica incomoda a minha concentração, que, tão logo iniciei a primeira invocação, me lembrei do Alfredo e das lições de zoologia de quem conviveu com caboclos da roça, que me ensinaram que mula não procria. Quando todo mundo teria ficado “pasmo”, fiquei pasmado em descobrir que, em mais de meio século de cultura, ainda não havia me dado conta de que não sabia que a mulher do burro não pode ter filhos. E me perguntei: Ora! Pra quê serve o sexo da mula?
Tentei-me inteirar do assunto e busquei enciclopédias, dicionários, uns livros antigos de ciências naturais e... nada! Ninguém fala de mula. “Ah! A Internet!”, pensei! E cliquei o Google e tantos outros sites para descobrir que mula está relacionada com uma casta de países do Oriente, onde ela leva um acento tônico na última vogal. Desisti e voltei para o Brecht. E rezei sozinho.
Prometi a mim mesmo que não o induziria, meu caro leitor, a rezar comigo a mais bela oração do devocionário político. Há quem diga que Brecht virou lugar comum. Deve ter virado mesmo, como viraram aqueles que não ouvem, não falam, não participam dos acontecimentos políticos. Virou lugar comum reclamar do custo de vida, do preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio. Virou lugar comum aquele burro que se orgulha e estufa o peito, dizendo que odeia política. Virou lugar comum a ignorância, mãe das vicissitudes sociais que geram a prostituição, o menor abandonado, o assaltante, o político vigarista, pilantra, corrupto e explorador das empresas nacionais e multinacionais.
E eu, que não sabia que mula não procria, me pergunto porque Brecht não trocou o burro pela sua fêmea. (Do burro, evidentemente...). Pelo menos ele produz alguma coisa (o burro, claro!). Já chegou até a produzir soro contra o câncer...
Pois bem, meu caro leitor. Nós não vamos ficar discutindo o sexo das mulas, quando nem o dos anjos nos leva a lugar algum. Mas acho que destas reflexões alguma coisa podemos depreender.
Sempre é tempo de aprender alguma coisa. Mas, às vezes insistimos em cometer os mesmos erros já cometidos e que nos ensinaram que a teimosia é um capricho dos muares. Tantos erros cometidos e não aprendemos a lição: é a nossa vocação para a teimosia da mula do Alfredo ou, no mínimo, do burro de Brecht, que se orgulha e estufa o peito, dizendo que odeia política. Já é hora de deixar a teimosia e virar este país de cabeça pra baixo!

AVE MARIA

SEM NEXO

23.02.1999 - ANIVERSÁRIO DA ANGELA. 45 ANOS

Henrique Faria

Como é bonito chegar
com esse sorriso a essa idade!
Quarenta e cinco, assim,
É muito mais que alguns verões:
É ser quarenta e cinco vezes criança
E ter quarenta e cinco corações.

23.02.1994 - ANIVERSÁRIO DE 40 ANOS DA ANGELA

Henrique Faria

Quem foi que disse
Que a vida começa aos quarenta,
Se a minha começou
Aos dezenove?

Quarenta
é apenas um átomo de amor
dessa eternidade
que não nos deu fim
nem deu começo.

E,
Ao ver esse seu sorriso,
Eu me pergunto
se é preciso
dividir em “entas”
tanto amor.

Quarenta,
Cinqüenta,
Sessenta...

Isso tudo é muito pouco
Diante desse amor atemporal
Que nos faz eternos.

Parabéns, meu amor!
E obrigado
Por essa eternidade
Que se renova em seu sorriso
Que não tem idade

INCONGRUÊNCIA

ONZE DE SETEMBRO

POR OCASIÃO DA CASSAÇÃO DE EDUARDO CUNHA

VELHOS-CRIANÇAS E CRIANÇAS QUE SERÃO VELHOS

QUEM TEM O NOME SUJO

sexta-feira, 21 de abril de 2017

QUE TAL A OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS RICOS?


Henrique Faria

Já andei pensando – e prometi a mim mesmo que desenvolveria um estudo para justificar a minha idéia – que, talvez, se a Igreja ao invés de priorizar os pobres fizesse uma “opção preferencial pelos ricos”, o reino da liberdade estaria mais próximo dos despossuídos e o reino dos céus ao alcance dos endinheirados. Mas não é mesmo? Com os ricos evangelizados não haveria pobreza...
Considerando que “pobres sempre tereis” e que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”, não seria o caso de se tentar?

EPITÁFIO

LULA: UM SER PRIMITIVO OU PATOLÓGICO?


Henrique Faria

Nós temos uma tendência recolhida para o crime. A honestidade, a moralidade, a ética são virtudes que convivem com a nossa propensão ao maquiavelismo, ao gersonismo, ao mandonismo, à egolatria, à omissão. Anjos e demônios disputam a nossa índole e, convenhamos, os demônios falam mais alto considerando-se o que se vê de bondade e de maldade acontecendo na história.
Mas, o homem é um ser bom por natureza, e suas virtudes foram aflorando à medida em que foi aprendendo a viver em comunidade, percebendo, através da liberdade, que poderia fazer suas escolhas. No entanto, alguns de seus vícios – que o envergonham – já estavam latentes em sua condição primitiva de quadrúpede e foram sendo censurados com a evolução, exatamente pelo convívio social.
O que acontece com alguns seres humanos é a sua dificuldade em ter evoluído da sua condição de australopithecos (o ancestral do homem moderno) para a condição de homem evoluído. Entre algumas expressões legadas pela evolução humana, a capacidade de corar, inexistente nos animais, é uma aquisição do homem evoluído e um dos sinais que o diferenciam do homo erectus e dos seres irracionais. Darwin considerava a “corajem” (com “j” mesmo, que, se não existe no dicionário de português, acabo de inventá-la como um substantivo decorrente do verbo “corar”) “a mais popular e humana de todas as expressões”.
Eu não busco na ortodoxia lombrosiana a tendência atávica que explica a delinquência como herança do homem primitivo, mas sou tentado a pensar que, diante de tanta maldade que se vê em certos seres humanos, alguma coisa não evoluiu no seu cérebro, ou que, diante de tanta “cara de pau”, ou seja, de tanta incapacidade de corar – entenda-se falta de vergonha na cara – o cérebro de algumas pessoas cresceu em descompasso com a evolução humana e seriam necessárias mais algumas centenas de milhares de anos para que essas pessoas – que têm uma expectativa de vida de oitenta anos ou pouco mais – vivessem para se despojarem do australopithecos e assumirem o homo hodiernu , com licença para gastar um pouco do meu macarrônico latim.
É o caso de Lula. Ou alguém tem alguma dúvida de que ele comanda uma organização criminosa? Ou de Eduardo Cunha. Este, então, quer tudo para si, muito mais esperto, com uma área do cérebro – a que maquina as ações criminosas – mais desenvolvida que a do bufusbarbatus, batráquio ancestral do dirigente petista, que nele ainda se encontra em estágio de evolução.
E por que eu digo que nós temos uma tendência recolhida para o crime? Porque pela nossa tendência ao gersonismo (levar vantagem em tudo), ao maquiavelismo (o fim justifica os meios), somos cúmplices na cultura do crime ainda latente na índole de pessoas como esses dois homo safatus, que, se não desenvolveram aquela parte do cérebro que os permita corar, evoluíram anos-luz na nossa frente, na região encefálica que comanda a safadeza e a canalhice.
Eles podem não ser criminosos por serem doentes ou primitivos. Mas, nós, que aceitamos “quem rouba, mas, faz” ou quem rouba, mas financia a nossa faculdade, a nossa-casa-nossa-vida, a nossa bolsa-miséria, somos coniventes com suas ações condenáveis.

JÁ SE FOI O TEMPO EM QUE O CRAQUE “COMIA A BOLA”

Henrique Faria

Eu leio aqui no Face, em rompantes de ufania patriótica, o que um torcedor escreveu contando que o jogador tal, em transferência de um grande clube europeu para outro, vai levar, só pra ele, 12 milhões de euros por ano, enquanto durar o seu contrato de cinco anos.
Hoje o euro está cotado em pouco mais de três reais. Ou seja, o bonitinho vai ganhar 3 milhões de reais por mês ou, para nos matar de inveja, 100 mil reais por dia! É isso mesmo? É tanto zero que eu acabo me confundindo...
Ah... Fala sério! Nada mais imoral num planeta em que a fome endêmica atinge quase 1 bilhão de pessoas! Isso tudo pra brincar com uma bola, além de dar passes errados, errar pênaltis decisivos, marcar gols contra; enfim, exercer a sua profissão nem sempre com competência.
E eu, aqui, rezando o meu Pai Nosso e engolindo uma prosaica lasanha congelada com a consciência pesada, me lembrando de umas carinhas pretinhas, crianças esquálidas que se mumificam em vida porque não têm o que comer...
A humanidade é cruel. Quem não faz, aplaude a injustiça social em todas as suas formas de expressão, especialmente naquelas em que a mídia elege alguém para comer bem pelos quase 1 bilhão de pessoas que passam fome.
Já se foi o tempo em que o craque “comia a bola”!

O BEIJO GAY DAS OCTOGENÁRIAS E A INTOLERÂNCIA DAS MINORIAS

Henrique Faria

Eu estava aqui revendo algumas das minhas publicações e me deparei com uma que publiquei no Facebook algum tempo atrás, na ocasião da estreia da novela Babilônia (Rede Globo de Televisão) no dia 16 de março de 2015, quando as atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg protagonizaram o primeiro beijo gay da televisão brasileira. Segue o texto.
Acabo de ser espinafrado por um amigo, por quem tenho admiração pela fluência do seu raciocínio, pela sua lucidez e sabedoria; e respeito, especialmente pela sua opção sexual. Não vai aqui qualquer bajulação à sua pessoa, já que ele me enquadrou no “quem te conhece que te compre”, o que me desqualifica em qualquer tentativa de amansá-lo na sua ira santa de defender as peculiaridades da comunidade gay, mormente em suas expressões de afeto, como foi o beijo lésbico – de mentirinha – entre duas octogenárias – de verdade – levado ao ar no primeiro capítulo de uma novela de TV. Além de não recomendar as minhas considerações (“quem não conhece que te compre”), me priva de “apontar o dedo” por me incluir entre “gente que já fez coisa muito pior na vida”. Estou aqui tentando revolver os nossos vinte e cinco anos de amizade e buscar nessa história alguma confidência que me coloque com um pé para trás por algum ato tão abominável que possa constituir “coisa muito pior (que fiz) na vida”).
Tudo isso por ter feito um comentário em uma rede social num post que não era da sua lavra, mas de uma amiga comum, em que considerei o tal beijo uma questão de estética e de ética e não de moral.
Não “apontei o dedo” para as pessoas que se identificam com uma cena dessas. Quando digo que vejo o beijo lésbico público de duas octogenárias sob o ângulo estético e ético, eu quero dizer que quem quiser que o ache bonito – eu não acho –, e que é uma ruptura com as convenções, o que, de certa forma, alija seus protagonistas do grupo social em que estão inseridos. A ruptura com os padrões éticos é um fator de inclusão no grupo das minorias, não necessariamente no das amaldiçoadas.
Não faço juízo moral de ninguém. Não porque não tenha moral para isso, que não tenho mesmo, mas por achar que a moral, diferente da ética, é relativa. O que é imoral para uma sociedade pode não ser para outra. O que é imoral para um indivíduo pode não ser para outro. Além disso, não tenho estatura para julgar quem quer que seja, sob qualquer aspecto, seja moral, estético ou ético. Aqui eu enfatizo que as minhas considerações que enfezaram o meu amigo não foram um juízo, mas um exercício de liberdade de expressão, a mesma liberdade que ele teve para me incluir entre as pessoas com as quais ele tem um pé atrás ao expressar-se pelo “quem não te conhece que te compre” e ao lançar-me para a vala dos malditos “que se escondem atras (sic) de um (sic) retórica que serve de subterfúgio para dissimular o velho preconceito”, “e de gente que já fez coisa muito pior na vida e vem querer apontar o dedo”.
Quanto ao questionamento que o meu amigo coloca na possibilidade de não podermos desfrutar do mágico momento de um beijo gay em novela por “motivos estéticos e éticos e não por preconceito e falso moralismo”, eu o acalmo e o encorajo. Ainda vamos ver muitos beijos gays na TV e eles serão tão comuns que deixarão de ser polêmicos. Os gays já podem “trocar carinho na pracinha, no shoping (sic), ou qualque (sic) lugar” como é o seu desejo. Que mal tem? Não há lei que os proíbam dessas manifestações de afeto, “desde que seja de forma respeitosa” como ele acentua.
O que eu questiono – e questionei em meu comentário que deu azo para tanta irritação do meu amigo – é a maneira como a sociedade vem sendo manipulada por uma minoria que detém o poder midiático, querendo impor uma cultura na marra. Deixa a coisa fluir naturalmente! Aliás, esse mesmo grupo de profissionais da comunicação que exalta o beijo gay cria estereótipos caricatos dos homossexuais que só servem para acirrar ainda mais o preconceito que, volto a dizer, é muito mais de natureza estética do que moral: precisa a bicha fazer tantos trejeitos – que a mulher não faz – para se afirmar como gay?
Voltando ao assunto, não concordo com o termo “opção sexual”. Ninguém faz “opção sexual”. Cada um é o que é e pronto. Por outro lado, ninguém nasce gay ou hétero. As pessoas nascem homem ou mulher.

AUSÊNCIA

SAUDADES...

Assédios...

Henrique Faria

O jogo de sedução vem perdendo seu encanto e sua magia. Especialmente os homens são os mais atingidos pelo conceito de assédio sexual atribuído à sedução não consumada. Há uma tendência à intolerância por parte das mulheres quando se frustra uma tentativa de sedução. O constrangimento do ato é definido pela vontade da mulher. Ou seja, se ela quer, é sedução (Ele é um sedutor); se ela não quer, é assédio sexual (Ele é um ordinário). E daí? Em que cabeça está a maldade do comportamento?

E o que não dizer do assédio feminino? O que diferencia, na maioria das vezes, o assédio masculino do assédio feminino é o nível do ataque. Do homem, o atrevido e transparente. Da mulher, o enrustido e insinuante. Entretanto, em ambos o machismo está presente: o homem assedia para provar que é macho; a mulher assedia para provar se ele é macho mesmo...

quarta-feira, 15 de março de 2017

POESIA DE PAI É ASSIM...


Henrique Faria

Eu queria escrever um poema bem bonito para os pais.

Mas... Pai não é como mãe que você junta cinco ou seis palavras e está feita a poesia. Pai não rende.

Ser pai é poético, sim, mas como pai é atrapalhado!... Às vezes a mãe põe as mãos em cada lado da cintura, cabelo juntado no cocoruto, vassoura encostada no sovaco e... “Ai, meu Deus! Onde é que eu fui amarrar o meu burro?” (O pai está lá na cozinha tentando apagar o fogo do óleo da frigideira que quase põe a casa abaixo durante a mais prosaica missão de um pai faminto que não quer esperar a mulher para fritar um ovo). Isso dá poesia? Ah... dá! Mas no momento que ele, envergonhado, se dirige à “patroa” e lhe tasca um selinho que ela, poderosa e incomplacente, não lhe retribui.

Ser pai é poético, sim, eu repito, mesmo quando a mãe reclama que ele é uma criança a mais que ela herdou da sogra, mais criança que os filhos com que ele mesmo concorreu para povoar o mundo. Pois é sendo criança que ele brinca de ser bandido pra que o filho seja o herói. E nessa de brincar estabanado pela casa, lá se vai o porta-retrato com a foto de casamento, que a mãe acabara de espanar, reduzido a cacos por um golpe desferido pelo filho, mas que ele assume como seu. Isso dá poesia até que os dois, devidamente cúmplices daquela “arte”, coloquem as próprias mãos tapando a boca, escondendo o riso maroto dos arteiros.

Ser pai é poético, sim, até quando ele, por machão que seja, chora escondido por se sentir impotente por não poder agradar o filho com um mimo mais caro, dessas tranqueiras eletrônicas que todos os seus amiguinhos têm, mas que custam quase um mês do seu salário. Isso dá poesia? Dá sim. É quando à noite, ao beijar o filho e lhe cobrir o peito, o menino sussurra enternecido: “Ah, pai... Quando você puder, você me dá. Combinado?”.

Ser pai é poético, sim, até quando a diretora o chama na escola pra lhe dar uma notícia ruim do filho adolescente se encaminhando por trilhas que não vão dar certo. “Ah... isso não vai prestar”, pensa ele. Porque isso também dá poesia, ao estremecerem as paredes do colégio, reverberando a cigarra estridente que aponta o fim das aulas, quando o ele põe a mão sobre o ombro do menino e lhe diz “ô, tigrão! Nós precisamos conversar!” e dão uma paradinha na lanchonete da esquina para um papo gostoso, tocado a sabor de baunilha com creme de chantily.

Ser pai é poético, sim, mesmo quando não tenha nada mais antipoético do que aquela notícia que a mãe vem escondendo há dias, de que ele já desconfiou, mas em que prefere não acreditar. Sua menina... Ah... Sua menina... Sua princesinha com quem há pouco brincava de serra-serra ou quem dançava no tapete da sala com os pezinhos sobre os seus pezões... Pois veja só: ela está esperando um bebê! Um bebê! Pode? Mas, como? Com quem ela aprendeu essas coisas? Mas, no momento em que ele engole em seco essa perfídia, recoloca sua princesa no trono do seu colo e lhe põe a mão sobre a barriguinha mesmo sem dizer palavra alguma, a poesia brota muda, sai do coração e lhe desce pelos olhos numa lágrima teimosa que ele tenta conter com o polegar.

Poesia de pai é assim. Sempre mais dura de brotar.

E o pai faz questão de não se sentir inspiração, porque – pode ter certeza! – ele acha que toda a poesia se encerra na mulher e nos filhos e que o seu papel é apenas se embevecer, no seu jeito às vezes durão e atrapalhado, palhaço dissimulado, cúmplice e companheiro, provedor e conselheiro, na delícia que é ser o artista desse quadro e desse poema que, pra ele, tem o nome de “família”.
Enfim... Poesia de pai é assim...