sexta-feira, 27 de abril de 2012

PRIVILÉGIO PARA OS NEGROS? POR QUÊ?

Eu me esforço para entender certas coisas que dizem serem complicadas. Algumas nem são, mas são envolvidas de tal forma pela filosofia que acabam por perder a sua simplicidade de entendimento. Quer complicar? Filosofe. Pois eu, que não sou afeito à filosofadas, vejo as coisas da maneira mais simples possível. As complicadas eu simplesmente não vejo. Assim, eu não vejo essa questão de raça para tratar da posição das pessoas dentro da sociedade. Não acho que os olhos puxados dos índios ou a sua linguagem colocando o verbo na terceira pessoa quando o interlocutor é da primeira, ou quando adjetiva no masculino um substantivo feminino sejam características de uma raça diferente. Da mesma forma como não acho que a pele escura dos mais de cinqüenta por cento dos brasileiros seja indício de uma raça diferente. Não espere você que eu me enverede pelas sendas da antropologia para justificar as minhas considerações. Não vou. Muito mais pelas minhas limitações acadêmicas do que por mero preconceito para com a intelectualidade. Eu penso simples. Só isso. E pensando assim, eu acho que o ser humano se reúne em uma raça só: a raça humana. Nem vou me perder em firulas do conhecimento para definir o que é raça. Nada disso. Estou falando do homem. Seja ele com a cor da pele mais clara, branquelo como o arianos, amarelo como os orientais – aliás, não sei por que dizem que os orientais são amarelos... – escuro como os afronativos. Eu sou vermelhão e não tenho nenhuma afinidade com os índios do Oeste americano. Se você se aprofundar na história vai ver que os negros que vieram para o Brasil na aventura escravonauta foram negociados em seus países de origem pelos seus próprios irmãos – homens que, por uma afinidade geográfica mantinham, como eles, a mesma cor da pele. Por que, então, esse sentimento de culpa da sociedade branca? Quem escravizou o negro foi o homem. Um seu igual que, por contingências geográficas também, ostentava a pele branca. Assim, eu acho que não tem porquê o mea culpa do ministro Ayres Brito ao querer justificar seu voto favorável à cota racial nas universidades brasileiras, promovendo a revisão dos erros de gerações passadas pela nossa geração. Na verdade, não há como reparar esses erros. E nem se pode dizer que a escravidão promoveu o surgimento de uma raça inferior no cenário social brasileiro. No Brasil, a escravidão foi uma vergonha perpetrada pela cultura européia que sempre se jactou de superioridade. Vem daí esse estigma e não cabe a nós, cidadãos do século 21, nenhuma culpa por essa soberba histórica. Veja a influência do negro na cultura brasileira: na música, na dança, nas artes, na literatura, na gastronomia, na política. Bem... na política eles aparecem menos, talvez porque os que aparecem mais, geralmente são os corruptos, na sua acachapante maioria, brancos. Ou, melhor dizendo, da pele clara, bem penteados, alguns carecas, outros... bigodões cheios, com os nomes mais estranhos... Difícil ver um político corrupto chamado Benedito. Como os negros conseguiram a posição de vanguarda na cultura popular e não o conseguem na cultura acadêmica? A resposta é muito simples: porque são pobres, como os brancos que são pobres. Faça uma pesquisa bem simples, com os vizinhos da sua rua, para constatar quantos adolescentes que têm a pele clara conseguem entrar para a universidade após terminarem, às duras penas, o terceiro ano colegial. Bem... Isso não vale para você que mora no Jardim das Nações ou nos condomínios de luxo. Você vai concluir que a mesma porcentagem de brancos e negros não conseguem chegar à universidade não pela cor da sua pele, mas pelas sua condições socioeconômicas que os fazem marginais da sociedade de consumo. A marginalidade não é determinada pela cor da pele, mas pela exclusão do homem – de qualquer cor – da sociedade que consome, que interage com a modernidade, que participa do poder e... até da Igreja. E para finalizar, eu volto ao começo das minhas reflexões para dizer que não entendi porque o Supremo Tribunal Federal declarou constitucional a cota por raça nas universidades brasileiras, se o que eles deveriam julgar é se é constitucional o comércio que se faz com a educação, uma vez que a nossa Constituição Federal garante que todos são iguais perante a lei – por que os negros têm que ser mais iguais que os outros? – e que a educação é um direito social protegido pelo Estado, que deveria dar condições a todos – todos! – os brasileiros de acesso à universidade. A mim me parece ser a decisão do Supremo um golpe na dignidade dos brasileiros de pele escura, facilitando-lhes o acesso à universidade como se eles fossem inferiores em sua capacidade