sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A margem violenta que comprime o rio cruel

Henrique Faria

Mais alguns dias e estamos diante de um momento de rara oportunidade. E de profunda responsabilidade. Infelizmente, entre os quase 140 milhões de brasileiros que têm o dever de votar no segundo turno das eleições deste ano, um relativo contingente de cidadãos – que podemos dizer, passa, provavelmente dos 50% – não têm consciência da importância deste momento. São as mesmas pessoas que, talvez como nós, se queixem de opressão e de submissão ao poder político e econômico, de falta de oportunidade para a ascensão profissional, da dificuldade de acesso a uma educação eficiente em todos os níveis de ensino, especialmente da impossibilidade de cursar o ensino universitário; do risco que se corre de andar na rua e ser surpreendido por ações de violência; da violência perpetrada contra a mulher e a criança; da morosidade da justiça, das más condições do transporte público e das estradas, do desrespeito do poder público com os doentes e idosos, abandonados em filas intermináveis e em espera angustiante de dias ou meses para se fazer um simples exame clínico; do acesso negado ao direito de lazer e turismo por absoluta falta de recursos; enfim, da dificuldade de exercer os mais elementares direitos de cidadania, como ser tratado por igual perante a lei, ter respeitada a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, como reza o capítulo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil.

Estamos diante de um quadro de analfabetismo político, que não muda desde os tempos seculares, já cantado por Brecht há décadas, quando ele dizia que o “analfabeto político não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos” e que “não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas”, tão “burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política”. Para o poeta alemão, “esse imbecil não sabe que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

Desculpe-me, querido leitor, se preciso pintar um quadro tão grotesco no início desta nossa reflexão. É porque sei que você ainda tem tempo de conquistar a consciência de pelo menos um amigo ou amiga, fazendo-o acordar para a realidade do momento que vamos viver no próximo final de semana. Apesar de tanta gente se alienando por tanto tempo, não podemos desanimar. Como o próprio Brecht, que escrachou o alienado político chamando-o de burro e de imbecil, nós não devemos desanimar da luta, cantando com ele que “há homens que lutam um dia, e são bons; há outros que lutam um ano, e são melhores; há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; porém há os que lutam toda a vida: estes são os imprescindíveis”.

Nós somos imprescindíveis neste momento. Não basta escolhermos bem o nosso futuro presidente. Cabe também a nós correr contra o relógio e tentar resgatar alguma consciência perdida que, você sabe, brota a todo momento em suas conversas com amigos e amigas que insistem na alienação do analfabetismo político. Você, com certeza, não se alinha entre esses milhões de alienados. Mas é seu dever chamar à atenção essas pessoas do seu círculo de amizade que ainda não se conscientizaram da gravidade deste momento cívico. Não se trata de indicar um candidato, mas de mostrar o risco que o nosso país corre se não forem eleito um presidente que tenha compromisso com a defesa da vida, com a liberdade de expressão seja ela religiosa, política, ideológica; com a lisura no cumprimento do mandato, com a honestidade ao tratar da coisa pública; com a manutenção da governabilidade, com o cumprimento do que está escrito na nossa Constituição Federal e nos diversos tratados internacionais de proteção aos direitos da criança, do idoso, da mulher e de todos os nossos direitos como pessoa humana.

É nossa responsabilidade, pelo voto, mudar o quadro de abandono ético a que se encontra relegada a nossa nação. É nossa responsabilidade, pelo voto, dar condições dignas de moradia, de educação, de saúde, de segurança que tornem realmente iguais todos os cidadãos brasileiros. É nosso dever domar a violência do rio impetuoso que engole seus barrancos, nãos nos esquecendo de que suas margens somos nós, que temos a liberdade de delinear o seu curso. Repetindo, com Brecht, mais uma vez, “Do rio que tudo se arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”.

O momento de intimidade que vamos dividir com a urna eletrônica é o sacramento da nossa cidadania. É o sinal visível e eficaz da graça de exercermos com liberdade a nossa vocação cívica e de reafirmar a vocação cristã do nosso país, acossado por uma mentalidade nova – e absolutamente minoritária – de conversão ao ateísmo oficial.
Lembre-se disso, caro ouvinte! E não seja você a margem violenta que comprime esse rio cruel.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Resgatar consciências

Henrique Faria

Mais dois dias e estamos diante de um momento de rara oportunidade. E de profunda responsabilidade. Infelizmente, entre os quase 140 milhões de brasileiros que têm o dever de votar nas próximas eleições, um relativo contingente de cidadãos – que podemos dizer, passa, provavelmente dos 50% – não têm consciência da importância deste momento. São as mesmas pessoas que, talvez como nós, se queixem de opressão e de submissão ao poder político e econômico, de falta de oportunidade para a ascensão profissional, da dificuldade de acesso a uma educação eficiente em todos os níveis de ensino, especialmente da impossibilidade de cursar o ensino universitário; do risco que se corre de andar na rua e ser surpreendido por ações de violência; da violência perpetrada contra a mulher e a criança; da morosidade da justiça, das más condições do transporte público e das estradas, do desrespeito do poder público com os doentes e idosos, abandonados em filas intermináveis e em espera angustiante de dias ou meses para se fazer um simples exame clínico; do acesso negado ao direito de lazer e turismo por absoluta falta de recursos; enfim, da dificuldade de exercer os mais elementares direitos de cidadania, como ser tratado por igual perante a lei, ter respeitada a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, como reza o capítulo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil.

Estamos diante de um quadro de analfabetismo político, que não muda desde os tempos seculares, já cantado por Brecht há décadas, quando ele dizia que o “analfabeto político não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos” e que “não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas”, tão “burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política”. Para o poeta alemão, “esse imbecil não sabe que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

Desculpe-nos, querido ouvinte, querida amiga da Cultura, se precisamos pintar um quadro tão grotesco no início desta nossa reflexão. É porque sabemos que você ainda tem tempo de conquistar a consciência de pelo menos um amigo ou amiga, fazendo-o acordar para a realidade do momento que vivemos neste final de semana. Apesar de tanta gente se alienando por tanto tempo, não podemos desanimar. Como o próprio Brecht, que escrachou o alienado político chamando-o de burro e de imbecil, nós não devemos desanimar da luta, cantando com ele que “há homens que lutam um dia, e são bons; há outros que lutam um ano, e são melhores; há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; porém há os que lutam toda a vida: estes são os imprescindíveis”.

Nós somos imprescindíveis neste momento. Não basta escolhermos bem os nossos candidatos. Cabe também a nós correr contra o relógio e tentar resgatar alguma consciência perdida que, você sabe, brota a todo momento em suas conversas com amigos e amigas que insistem na alienação do analfabetismo político. Você, com certeza, não se alinha entre esses milhões de alienados. Mas é seu dever chamar à atenção essas pessoas do seu círculo de amizade que ainda não se conscientizaram da gravidade deste momento cívico. Não se trata de indicar candidatos, mas de mostrar o risco que o nosso país corre se não forem eleitos homens que têm compromisso com a defesa da vida, com a liberdade de expressão seja ela religiosa, política, ideológica; com a lisura no cumprimento do mandato, com a honestidade ao tratar da coisa pública; com a manutenção da governabilidade, com o cumprimento do que está escrito na nossa Constituição Federal e nos diversos tratados internacionais de proteção aos direitos da criança, do idoso, da mulher e de todos os nossos direitos como pessoa humana.

É nossa responsabilidade, pelo voto, mudar o quadro de abandono ético a que se encontra relegada a nossa nação. É nossa responsabilidade, pelo voto, dar condições dignas de moradia, de educação, de saúde, de segurança que tornem realmente iguais todos os cidadãos brasileiros. É nosso dever domar a violência do rio impetuoso que engole seus barrancos, nãos nos esquecendo de que suas margens somos nós, que temos a liberdade de delinear o seu curso. Repetindo, com Brecht, mais uma vez, “Do rio que tudo se arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”.

O momento de intimidade que vamos dividir com a urna eletrônica é o sacramento da nossa cidadania. É o sinal visível e eficaz da graça de exercermos com liberdade a nossa vocação cívica e de reafirmar a vocação cristã do nosso país, acossado por uma mentalidade nova – e absolutamente minoritária – de conversão ao ateísmo oficial.
Lembre-se disso, caro ouvinte! E não seja você a margem violenta que comprime esse rio cruel.